A Verifact realizou o Digital Evidence Summit (DES) 2026 nesta quarta-feira (12/08), no Cubo Itaú, em São Paulo. Foi o primeiro evento da empresa e reuniu algumas das principais referências em provas digitais do país. Durante toda a manhã, especialistas em direito digital, perícia forense e inteligência artificial examinaram os principais desafios do ambiente tecnológico. Assim, os palestrantes demonstraram que a velocidade da transformação digital exige respostas rápidas e métodos rigorosos do Judiciário brasileiro.
Entenda como as provas digitais sustentam processos modernos com eficiência e segurança. O texto mostra por que o registro no momento do fato faz diferença e também como o Ministério Público Federal analisa a extração de evidências na web. Por fim, o uso de inteligência artificial no contencioso de massa, a resposta estruturada a incidentes cibernéticos e as novas exigências de transparência diante dos deepfakes.
O impacto da captura imutável de evidências
A busca por provas digitais confiáveis abriu os debates no auditório do Cubo Itaú. Logo na abertura, Regina Acutu, fundadora e CEO da Verifact, destacou como a falta de padronização compromete a instrução probatória. Por isso, a integridade da informação precisa ser assegurada logo nos primeiros segundos após a identificação do conteúdo na rede.
Regina Acutu, CEO da Verifact, na abertura do Digital Evidence Summit 2026Em seguida, Regina explicou como a tecnologia da Verifact preserva o contexto, os metadados e o registro de acesso às informações online. Assim, advogados e peritos conseguem apresentar materiais imutáveis ao juiz, afastando alegações de adulteração. A abertura contextualizou os temas seguintes e reafirmou, portanto, o papel do pioneirismo técnico na construção da confiança probatória.
Coleta de dados na web e rigor técnico no processo penal
A preservação correta de dados exige o cumprimento rigoroso da cadeia de custódia, porque qualquer descuido contamina os vestígios digitais. Para aprofundar o tema, o evento recebeu Winícius Ferraz Neres, Coordenador de Investigação em Evidências Digitais do Ministério Público Federal (MPF). O palestrante demonstrou também o crescimento das decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entre 2017 e 2025. Ou seja, os ministros anularam provas colhidas de forma informal.
Winícius Ferraz Neres, Coordenador de Investigação em Evidências Digitais do MPF, apresentou as diretrizes da ISO 27037 para coleta de vestígios na web.Segundo Neres, a imaterialidade e a volatilidade tornam os dados cibernéticos extremamente sensíveis. Portanto, capturas de tela simples não atendem aos critérios técnicos aceitos pelo Judiciário. Por fim, o especialista destacou as diretrizes da norma ABNT NBR ISO/IEC 27037:2013 e apresentou orientações práticas para a coleta de vestígios:
- Compreender o contexto completo da navegação antes de efetuar o registro;
- Salvar sempre os metadados técnicos associados à página ou mensagem;
- Registrar os procedimentos em relatórios operacionais detalhados;
- Isolar vestígios obtidos em redes sociais para reforçar o isolamento da prova;
- Aplicar os princípios da tríade de dados telemáticos na interação com provedores.
Inteligência artificial e a gestão do contencioso de massa
A expansão da inteligência artificial no Direito transformou a gestão das grandes bancas de advocacia do Brasil. Andressa Barros, sócia e CEO do escritório Fragata e Antunes Advogados, trouxe, por exemplo, dados sobre a litigiosidade nacional. Segundo ela, o Brasil acumula 75 milhões de processos em tramitação. O país também recebe cerca de 39 milhões de novas ações todos os anos.
Andressa Barros fala sobre inteligência artificial no Judiciário durante o Digital Evidence Summit 2026Por causa disso, 55% dos advogados declaram utilizar IA generativa para agilizar a leitura de documentos. No entanto, Barros alertou que 89% das empresas não obtêm ganhos reais de produtividade, porque falta auditabilidade nos sistemas. Por isso, os tribunais utilizam filtros rígidos para analisar materiais processados por algoritmos.
Aplicação de inteligência artificial nos tribunais:
| Indicador analisado | Dado estatístico registrado |
|---|
| Processos ativos no Judiciário brasileiro | 75 milhões de ações |
| Advogados que utilizam IA generativa no trabalho | 55% dos profissionais |
| Ações judiciais que empregam IA na triagem probatória | 43% dos casos |
| Organizações sem ganho produtivo por falta de auditoria | 89% das empresas |
Barros também detalhou os cinco filtros que os juízes exigem para aceitar evidências no processo:
- Origem e Proveniência: identificação clara da fonte criadora do dado.
- Integridade: comprovação técnica de que o conteúdo não sofreu alterações.
- Rastreabilidade: registro completo de todas as etapas do manuseio.
- Reprodutibilidade: capacidade de um perito independente repetir o exame.
- Explicabilidade: fim da “caixa-preta”, com a lógica aplicada pela IA à mostra.
Conexões estratégicas entre os participantes
A qualificação constante em perícia digital abriu espaço para trocas de experiências entre os participantes. Além disso, a STWBrasil, especialista em cibersegurança e resposta a incidentes, viabilizou um sorteio de bolsas de estudo.
Cinco participantes ganharam acesso anual à plataforma AFD Plus, da Academia de Forense Digital (AFD). A instituição lidera os treinamentos práticos de investigação forense no país. Assim, a iniciativa uniu a teoria apresentada no palco à prática profissional dos cursos da AFD.
Preservação de provas em resposta a incidentes
A rápida preservação de evidências durante um ataque cibernético define o sucesso das medidas judiciais cabíveis. Em seguida, Marcelo Kawakami, gerente de negócios da STWBrasil, conduziu o painel técnico sobre contenção de incidentes. Ele ressaltou que a manipulação apressada de e-mails ou servidores danifica os metadados antes mesmo do início do processo.
Marcelo Kawakami apresenta as três fases de resposta a incidentes cibernéticos no DES 2026Portanto, a equipe de Tecnologia e o departamento jurídico precisam de alinhamento total. O especialista dividiu, então, a metodologia de resposta em três momentos:
| Fase da resposta | Ações principais da equipe |
|---|
| Preparação (antes) | Treinar colaboradores para identificar ameaças e vetores de risco. |
| Resposta (durante) | Conter o ataque cibernético sem alterar os registros de acesso. |
| Investigação (depois) | Elaborar laudos periciais e relatórios técnicos auditáveis. |
Os desafios da confiança digital diante dos deepfakes
O combate à proliferação de deepfakes exige ferramentas capazes de assegurar a transparência das informações públicas. Entre elas está o Escavador, por exemplo, uma das maiores plataformas do Brasil na consulta de dados jurídicos e processos públicos. A plataforma aproxima cidadãos e empresas do ecossistema do Judiciário de forma acessível e organizada.
Dalila Pinheiro, Coordenadora Jurídica e DPO do Escavador, representou a empresa no palco. Ela também abordou os impactos da falsificação de conteúdos em vídeo e áudio. Segundo a especialista, o risco atual envolve dois lados: o público aceita conteúdos falsificados, mas desacredita fatos verídicos.
Dalila Pinheiro, Coordenadora Jurídica e DPO do Escavador, falou sobre os dois riscos do deepfake: aceitar o falso e desacreditar o verdadeiro.Além disso, Pinheiro destacou as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exigem transparência proativa no uso de inteligência artificial. Por isso, a comprovação do contexto precisa ocorrer no exato instante da comunicação. Para atingir esse nível de segurança, o Escavador utiliza a tecnologia da Verifact e registra o ambiente digital das provas com total rastreabilidade.
Uma nova comunidade de provas digitais
A comunidade Provas Digitais foi outro momento de destaque da programação. Na tela principal, a Verifact apresentou a nova rede colaborativa e disponibilizou um código QR. Assim, os participantes aderiram na hora. A iniciativa aproxima advogados, peritos, acadêmicos e estudantes interessados no aprimoramento do Direito Digital no Brasil.
A rede parte de uma premissa: o vestígio cibernético pode desaparecer rapidamente da rede. Por isso, os membros compartilham experiências para promover métodos imutáveis e auditáveis. Veja, então, os pilares operacionais da comunidade:
| Pilar da comunidade | Ação prática promovida |
|---|
| Colaboração | Troca contínua de conhecimentos entre profissionais e acadêmicos. |
| Acessibilidade | Democratização das melhores práticas de coleta de dados. |
| Ética e Confiança | Compromisso absoluto com a integridade e responsabilidade técnica. |
| Pioneirismo | Desenvolvimento de novos padrões para a perícia digital no país. |
Um futuro para as provas digitais no Brasil
A intensa transformação digital no Direito marcou cada palestra e conversa do Digital Evidence Summit 2026. O evento pioneiro da Verifact terminou com aprendizado, inovação e integração profissional. Os participantes saíram do Cubo Itaú com visões claras sobre a volatilidade dos dados. Levaram também caminhos para otimizar a instrução probatória nos tribunais.
Em resumo, a organização comemora os resultados desta primeira edição. Em breve, o time promete um novo encontro para debater as fronteiras da tecnologia e do Direito no Brasil. Acompanhe os canais oficiais e fique por dentro das próximas edições.
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