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Deepfake é a violência que a inteligência artificial multiplicou

Verifact
05/08/2026
Deepfake é a violência que a inteligência artificial multiplicou

A atriz Paolla Oliveira usou uma entrevista ao Fantástico para expor uma rotina que muitas mulheres brasileiras já conhecem de perto. Segundo ela, existem fotos e vídeos falsos circulando com o seu rosto, criados com inteligência artificial, sem que ela nunca tenha participado dessas gravações. O relato de Paolla não é um caso isolado. Ele é um retrato de como o deepfake virou rotina no Brasil, em escala industrial.

Além disso, um levantamento feito pelo laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou 198 anúncios fraudulentos usando a imagem da atriz em pouco mais de três meses. A maioria deles direcionava usuários para grupos privados em aplicativos de mensagens, onde o conteúdo manipulado era comercializado.

Para te ajudar a entender esse cenário e saber como agir, este artigo explica o que é o deepfake, quem são as vítimas mais afetadas, o que diz a legislação brasileira e como reunir corretamente a prova digital.

Guia do Conteúdo

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  • O que é deepfake e por que o tema preocupa
    • Qual a diferença entre deepfake e cheapfake?
  • Por que é difícil identificar deepfake?
  • Quando a própria plataforma vira ferramenta de abuso
  • Quem são as principais vítimas de deepfake?
    • Como o deepfake afeta adolescentes e o ambiente escolar?
    • Por que celebridades são alvo de anúncios com deepfake?
  • Dados que mostram a dimensão do problema
  • O que a legislação brasileira diz sobre deepfake?
  • Como reunir provas digitais de um deepfake?
    • Por que o print sozinho não sustenta o caso?
  • O deepfake não é um problema do futuro
  • O que mais você precisa saber sobre deepfake
    • É possível identificar um deepfake sozinho, sem ferramentas?
    • Quantos deepfakes circulam hoje na internet?
    • O que fazer se o conteúdo já foi apagado antes de eu registrar?
    • Deepfake também é usado contra empresas?

O que é deepfake e por que o tema preocupa

Deepfake é o vídeo, o áudio ou a foto criado ou alterado por inteligência artificial para simular pessoas reais com alto grau de realismo. Segundo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a tecnologia usa aprendizado profundo para gerar mídias sintéticas que imitam identidade e ação humana.

Por isso, o principal risco está na dificuldade de distinguir o conteúdo manipulado do conteúdo real, especialmente quando ele circula rapidamente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Qual a diferença entre deepfake e cheapfake?

O deepfake exige algoritmos complexos, que mapeiam geometria facial e padrões de voz. Já o cheapfake, também chamado de shallowfake, usa softwares de edição comuns para cortar, acelerar ou recontextualizar um conteúdo autêntico. A diferença é a sofisticação técnica, não o potencial de dano.

Ainda assim, mesmo com menos sofisticação, o cheapfake engana milhares de pessoas pela velocidade com que se espalha.

Por que é difícil identificar deepfake?

Porque a detecção humana deixou de funcionar. Um estudo da iProov indica que apenas 0,1% das pessoas testadas consegue identificar deepfake e outras mídias sintéticas de forma consistente. Mesmo avisados de que há material manipulado, os participantes erram mais com vídeo do que com imagem estática.

O volume também explica o problema. O acervo global de vídeos e áudios manipulados saltou de cerca de 500 mil peças em 2023 para aproximadamente 8 milhões em 2025, um crescimento anual estimado em 900%. A difusão de modelos de código aberto e a venda de “deepfake como serviço” derrubaram a barreira técnica de entrada.

Portanto, confiar no próprio olho virou estratégia falha. A verificação passou a depender de registro técnico, não de percepção.

Quando a própria plataforma vira ferramenta de abuso

As redes sociais funcionam hoje como o principal vetor de propagação desse tipo de conteúdo. Em janeiro de 2026, o assistente de inteligência artificial Grok, integrado à plataforma X, tornou-se o exemplo mais direto desse problema, porque a própria ferramenta gerava o material abusivo a pedido dos usuários.

A ANPD, o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) emitiram neste ano uma recomendação conjunta para que o X suspendesse imediatamente contas usadas para gerar imagens sexualizadas de mulheres, adolescentes e crianças por meio do Grok.

Entretanto, em 11 de fevereiro de 2026, as três instituições avaliaram que as medidas apresentadas pela empresa eram insuficientes, já que não vieram acompanhadas de evidências concretas ou relatórios técnicos de efetividade. Diante disso, o X passou a correr risco de multa diária, além de possíveis medidas judiciais mais rígidas.

Fileira de robôs de inteligência artificial usando laptops, representando a produção de deepfake em escala
Deepfake em escala: produção automatizada por inteligência artificial

O caso também levantou uma discussão jurídica nova. Quando a plataforma não apenas hospeda, mas produz o conteúdo lesivo, o debate deixa de ser sobre moderação e passa a ser sobre defeito de design do produto.

Quem são as principais vítimas de deepfake?

Os dados oficiais confirmam que o deepfake tem sido usado, sobretudo, como ferramenta de violência digital contra a mulher. Um levantamento da SaferNet Brasil, divulgado em fevereiro de 2026, identificou 173 vítimas de deepfake sexual em instituições de ensino de dez estados brasileiros. Todas as vítimas identificadas são mulheres, entre alunas e professoras.

Como o deepfake afeta adolescentes e o ambiente escolar?

O problema atravessa os muros das escolas. Segundo a SaferNet, São Paulo lidera as ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso e Pernambuco, com 30 casos cada, e Rio de Janeiro, com 20. Ao todo, o levantamento identificou 60 autores desses crimes.

Nesses casos, rostos de alunas e professoras costumam ser extraídos de redes sociais e sobrepostos a imagens de nudez, o que gera danos psicológicos profundos.

A dimensão internacional confirma o padrão. Um estudo conjunto de UNICEF, ECPAT e INTERPOL, realizado em onze países, estimou que pelo menos 1,2 milhão de crianças tiveram fotos manipuladas em deepfake sexual no período de um ano, o equivalente a uma criança em cada 25.

Por que celebridades são alvo de anúncios com deepfake?

Figuras públicas concentram alcance, e alcance converte em fraude. Conforme já mencionado, a pesquisa do NetLab identificou 198 anúncios falsos usando a imagem de Paolla Oliveira em três meses, a maior parte direcionando vítimas para grupos onde o conteúdo manipulado era vendido.

Portanto, o problema não afeta apenas pessoas anônimas. A exposição pública amplia o alcance e o potencial de dano desses conteúdos.

Dados que mostram a dimensão do problema

Os números abaixo consolidam os principais indicadores confirmados sobre o avanço dessa tecnologia no país e no mundo.

IndicadorDado
Participação do Brasil nos deepfakes da América LatinaAproximadamente 39% dos casos em 2025
Crescimento de fraudes com deepfake no Brasil126% entre 2024 e 2025
Denúncias ligadas a abuso infantil com uso de IA (jan. a jul. de 2025)49.336 de 76.997 denúncias totais, 64% do total
Vítimas de deepfake sexual identificadas em escolas173, em dez estados
Acervo global de mídias sintéticas em circulaçãoAproximadamente 8 milhões de peças em 2025
Crianças com fotos manipuladas em deepfakes sexuais (11 países)Pelo menos 1,2 milhão em um ano
Fontes: Sumsub; SaferNet Brasil; DeepStrike/Keepnet Labs; estudo conjunto UNICEF, ECPAT e INTERPOL.

Vale destacar que, segundo a Sumsub, outros países da América Latina, como Guatemala, México, Panamá e Suriname, registraram crescimentos ainda maiores no mesmo período, entre 400% e 500%. Isso mostra que o problema não é exclusivo do Brasil, mas o país concentra uma fatia relevante dos casos da região.

O que a legislação brasileira diz sobre deepfake?

O Brasil ainda não tem uma lei única e específica sobre deepfake, mas já conta com um conjunto de normas aplicáveis. A LGPD trata rosto e voz como dados pessoais sensíveis, de natureza biométrica, o que exige bases legais rigorosas para qualquer tratamento desse material.

A Lei nº 15.123, sancionada em abril de 2025, aumenta em 50% a pena do crime de violência psicológica contra a mulher quando ele é cometido com uso de inteligência artificial ou de qualquer tecnologia que altere imagem, som ou voz da vítima.

Além disso, o Decreto nº 12.976, de maio de 2026, estabeleceu diretrizes para o enfrentamento da violência contra as mulheres na internet, com um capítulo específico dedicado à geração e à modificação de conteúdo íntimo por inteligência artificial.

Como reunir provas digitais de um deepfake?

Se você for vítima ou identificar um deepfake ilícito, a reação precisa ser rápida e técnica. As provas digitais só sustentam uma ação se forem registradas enquanto o conteúdo ainda está no ar e se preservarem mais do que a imagem da tela.

Por isso, recomenda-se:

  1. Não apagar o conteúdo. Mantenha o link original e o perfil do autor ativos, para viabilizar a análise técnica posterior.
  2. Registrar o contexto. Guarde data, horário e o histórico de interações da publicação.
  3. Usar ferramentas especializadas em coleta de prova digital, que registrem metadados, logs e informações técnicas sobre como o conteúdo apareceu online.
  4. Fazer o boletim de ocorrência em delegacias especializadas em crimes cibernéticos ou pelos canais do Ministério Público.

Por que o print sozinho não sustenta o caso?

O print de tela registra apenas a imagem. Ele não guarda a URL de origem, os metadados, o código-fonte da página nem a data e a hora certificadas. Como qualquer gerador de interface online reproduz uma conversa falsa em segundos, o print como prova isolado perdeu força diante do contraditório.

Em casos de deepfake, essa fragilidade pesa ainda mais, porque o conteúdo costuma sair do ar em poucas horas. O registro precisa capturar código-fonte HTML, logs de conexão, dados de DNS e endereços IP de destino, e não apenas o que está visível na tela.

Ferramentas como a Verifact atuam nessa etapa. A navegação acontece em ambiente antifraude isolado, e o material coletado é selado com hash SHA-256 e timestamp ICP-Brasil, gerando um relatório que corresponde ao fato original, aderente à ISO 27037 e à Lei nº 13.964/2019, aceito em todas as instâncias do judiciário brasileiro.

O deepfake não é um problema do futuro

Em resumo, o deepfake já é uma realidade concreta na vida de mulheres brasileiras, dentro e fora das redes sociais. A combinação entre fiscalização mais rígida das plataformas, leis específicas como a 15.123/2025 e a coleta correta de provas digitais é o que hoje sustenta a responsabilização de quem comete esse tipo de crime.

Diante de um avanço tecnológico que não vai parar, a melhor proteção continua sendo a mesma: informação, atenção aos sinais de manipulação e agilidade na hora de preservar as evidências.

O que mais você precisa saber sobre deepfake

É possível identificar um deepfake sozinho, sem ferramentas?

Na prática, não. O estudo da iProov aponta que apenas 0,1% das pessoas testadas acerta de forma consistente. A recomendação é desconfiar do contexto, checar a fonte original do conteúdo e buscar verificação técnica, em vez de confiar na avaliação visual.

Quantos deepfakes circulam hoje na internet?

O acervo global estimado passou de cerca de 500 mil peças em 2023 para aproximadamente 8 milhões em 2025. O crescimento anual é estimado em 900% e é impulsionado por modelos de código aberto e por plataformas comerciais que oferecem geração de deepfake como serviço.

O que fazer se o conteúdo já foi apagado antes de eu registrar?

Reúna o que restou: links, nomes de perfil, horários, testemunhas e qualquer cópia recebida por terceiros. Registre boletim de ocorrência e leve o material ao Ministério Público. A remoção prévia enfraquece o caso, mas não impede a investigação nem eventual requisição judicial de dados.

Deepfake também é usado contra empresas?

Sim. Segundo relatórios de segurança da Gartner divulgados em 2025, cerca de 62% das organizações globais relataram pelo menos um incidente com deepfake em doze meses. Os ataques envolvem clonagem de voz, videochamadas simuladas e fraude em processos de verificação de identidade.


A janela para preservar a evidência é curta. Antes que o conteúdo desapareça, faça um Verifact. Clique no banner abaixo.

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